Reforma Tributária: como formar preços para 2027 | Sédue

Reforma Tributária e formação de preços para 2027

Definir os preços para 2027 usando apenas a tabela atual pode colocar a margem da sua empresa em risco.

A Reforma Tributária começa uma etapa importante no próximo ano. Em 2027, PIS e Cofins deixam de existir. Ao mesmo tempo, a CBS avança dentro do novo modelo de tributação sobre o consumo. O IBS também entra em sua fase de transição.

Por isso, o empresário não deve apenas perguntar:

“Quanto vou precisar aumentar meus preços?”

Antes disso, é preciso responder outra pergunta:

“Quanto minha empresa precisa cobrar para continuar tendo uma margem saudável?”

Essa diferença é importante.

A Reforma Tributária não significa que todos os preços subirão. Alguns produtos e serviços podem enfrentar aumento. Outros podem ter redução. Além disso, créditos tributários, custos e características de cada operação também influenciam o resultado.

Portanto, antes de definir sua tabela comercial para 2027, revise estes sete pontos.

1. Entenda como a Reforma Tributária afeta sua empresa

O primeiro erro seria pegar uma possível alíquota de IBS e CBS e simplesmente adicioná-la ao preço atual.

A conta não funciona dessa maneira.

Primeiro, é necessário entender qual regra vale para sua empresa.

Uma indústria pode ter um cenário. Já uma empresa de serviços pode enfrentar outro.

Além disso, empresas do Simples Nacional seguem regras diferentes das empresas sujeitas ao regime regular de IBS e CBS.

Por isso, o primeiro passo é identificar:

qual será o impacto da Reforma Tributária dentro da operação da sua empresa.

Em 2027, PIS e Cofins serão extintos. A CBS passa a ocupar seu espaço no novo sistema. Além disso, o IBS continuará em uma etapa inicial de transição.

Isso significa que a formação de preços precisa acompanhar esse novo cenário.

Porém, não basta olhar para o percentual do imposto.

É necessário analisar toda a operação.

2. Revise os créditos tributários da empresa

O segundo ponto envolve os créditos de IBS e CBS.

Esse tema será fundamental na formação dos preços para 2027.

O novo sistema utiliza uma lógica não cumulativa. Dessa forma, empresas no regime regular poderão aproveitar créditos em diversas aquisições, conforme as regras previstas na legislação.

Na prática, isso muda a forma de analisar custos.

Imagine uma empresa que compra mercadorias por R$ 50 mil.

Outra empresa possui o mesmo faturamento. Porém, seus principais custos estão concentrados em folha de pagamento.

As duas empresas podem apresentar resultados tributários muito diferentes.

Por isso, não basta saber quanto IBS e CBS aparecem na venda.

Também é necessário descobrir:

quanto de crédito a empresa consegue gerar antes dessa venda.

Essa análise pode alterar completamente a formação do preço.

Um exemplo simples

Imagine que sua empresa venda um produto por R$ 1.000.

Não basta calcular o tributo sobre esses R$ 1.000.

Antes disso, é necessário analisar os créditos relacionados às compras daquela operação.

Depois, a empresa calcula o impacto efetivo do tributo.

Só então consegue avaliar a margem.

Portanto, formar o preço sem analisar créditos pode gerar uma conta errada.

3. Analise seus fornecedores

A Reforma Tributária também aumenta a importância da cadeia de fornecedores.

Até hoje, muitos empresários escolhem um fornecedor principalmente pelo preço.

Esse critério continuará importante.

No entanto, a análise pode precisar ir além.

A empresa deve observar como cada compra entra em sua estrutura tributária.

Por isso, vale mapear os principais fornecedores antes de formar os preços para 2027.

Comece pelos fornecedores que representam a maior parcela dos custos.

Depois, analise mercadorias, serviços, transporte e outras despesas relevantes.

Essa análise é especialmente importante para empresas do comércio, indústria e distribuição.

Na Região Norte, ela merece atenção adicional.

Muitas empresas do Pará compram mercadorias de outros estados. Além disso, frete e logística podem representar uma parcela significativa do custo.

Portanto, uma mudança tributária não pode ser analisada separadamente da logística.

Para uma empresa em Marabá, por exemplo, o custo do produto não termina no valor apresentado pelo fornecedor.

Também existem transporte, armazenagem, prazo de pagamento e outros custos.

Tudo isso interfere no preço final.

4. Descubra sua margem real antes de alterar o preço

Esse talvez seja o ponto mais importante.

Muitos empresários sabem o faturamento da empresa.

Porém, nem todos sabem exatamente qual é a margem de cada produto ou serviço.

Com a Reforma Tributária, essa informação ganha ainda mais importância.

Imagine um produto vendido por R$ 500.

A empresa sabe quanto pagou pela mercadoria. Entretanto, precisa considerar outros gastos.

Existem despesas com equipe, aluguel, logística, sistema, comissões, taxas e tributos.

Depois de tudo isso, quanto realmente sobra?

Essa é a margem que precisa ser protegida.

Por isso, antes de criar a tabela de preços para 2027, responda:

qual é a margem mínima que minha empresa precisa manter?

Sem essa resposta, qualquer reajuste vira uma tentativa.

Faturamento alto não significa lucro alto

Uma empresa pode aumentar as vendas e, mesmo assim, ganhar menos dinheiro.

Isso acontece quando a margem diminui.

Por exemplo, imagine que uma empresa venda R$ 1 milhão por mês.

Se a margem cair de 10% para 6%, existe uma diferença significativa no resultado.

Por isso, o foco não deve estar apenas no faturamento.

O empresário também precisa acompanhar quanto sobra de cada venda.

A Reforma Tributária torna essa análise ainda mais necessária.

5. Separe clientes B2B de clientes B2C

Nem todo cliente deve entrar na mesma análise.

Uma empresa que vende para pessoas físicas possui uma realidade diferente de uma empresa que vende para outras empresas.

Por isso, separe os dois cenários.

Quando o cliente é consumidor final

No mercado B2C, o consumidor olha principalmente para o preço final.

Ele não está preocupado em aproveitar créditos tributários.

Portanto, um aumento de preço pode afetar diretamente a decisão de compra.

Nesse cenário, o empresário precisa encontrar equilíbrio.

Se aumentar demais, pode perder competitividade.

Por outro lado, se absorver todo o impacto, pode perder margem.

Quando o cliente é outra empresa

Já no mercado B2B, a análise muda.

O cliente empresarial também pode observar os efeitos tributários daquela compra.

Isso acontece porque o novo modelo de IBS e CBS utiliza uma lógica de créditos ao longo da cadeia.

Por isso, fornecedores de indústrias, mineradoras, distribuidores e grandes empresas precisam acompanhar esse tema com atenção.

Esse ponto é especialmente importante no Pará.

Marabá possui forte relacionamento comercial com mineração, agronegócio, construção, comércio e serviços empresariais.

Consequentemente, muitas pequenas e médias empresas atuam como fornecedoras de negócios maiores.

Nesse cenário, a estratégia de preço precisa considerar também o perfil do cliente.

6. Revise contratos e condições comerciais

O sexto ponto costuma ser esquecido.

Não adianta criar uma nova tabela de preços se a empresa possui contratos que impedem ajustes.

Por isso, revise os contratos antes de 2027.

Imagine uma empresa que assinou um contrato em 2026.

O serviço será prestado durante dois anos.

Nesse período, a estrutura tributária muda.

Então surgem algumas perguntas.

O contrato permite reajuste?

Existe cláusula sobre alteração tributária?

Quem absorve uma eventual mudança de custo?

O preço pode ser renegociado?

Essas respostas precisam estar claras.

Além disso, revise condições comerciais como descontos e prazos.

Um desconto de 10% pode parecer pequeno.

Porém, se a margem for de apenas 12%, esse desconto consome quase todo o resultado da operação.

Portanto, não analise apenas o preço de tabela.

Analise também:

preço efetivamente vendido.

Descontos, comissões, frete e prazo de pagamento também afetam a margem.

Em contratos mais complexos, a empresa também deve buscar orientação jurídica.

7. Faça simulações antes de publicar sua tabela de preços

O último ponto reúne todos os anteriores.

Não escolha um único cenário.

Faça simulações.

Essa é uma das principais vantagens de começar a preparação ainda em 2026.

A empresa pode testar diferentes possibilidades sem esperar o impacto chegar ao caixa.

Por exemplo, crie três cenários.

No primeiro, mantenha o preço atual.

Depois, observe o que acontece com a margem.

No segundo, ajuste o preço apenas o suficiente para preservar a rentabilidade.

No terceiro, simule um cenário mais conservador.

Depois disso, compare os resultados.

Analise faturamento, tributos, créditos, custos e margem.

Assim, a decisão deixa de ser baseada em sensação.

Ela passa a ser baseada em números.

Não existe um percentual único de reajuste para todas as empresas

Esse ponto precisa ficar claro.

Não existe uma regra dizendo que todas as empresas devem aumentar seus preços em determinado percentual por causa da Reforma Tributária.

A própria orientação oficial reconhece que alguns preços podem subir, enquanto outros podem cair. Isso ocorre porque a Reforma muda a estrutura tributária de cada cadeia.

Portanto, conteúdos que afirmam algo como:

“A Reforma vai aumentar todos os preços em X%”

devem ser vistos com cuidado.

Cada empresa possui uma realidade.

Além disso, cada produto ou serviço pode apresentar uma margem diferente.

Por isso, em alguns negócios será necessário fazer a análise até mesmo por categoria de produto.

Cuidado para não confundir imposto com margem

Imagine que o custo tributário de uma operação aumente.

Isso não significa que o empresário possa simplesmente aumentar o preço na mesma proporção.

O mercado precisa aceitar esse novo valor.

Por outro lado, absorver toda a diferença também pode ser perigoso.

A empresa pode continuar vendendo normalmente.

Porém, sua margem começa a diminuir.

Depois de alguns meses, aparece o problema.

O faturamento continua alto, mas sobra menos dinheiro no caixa.

Por isso, o empresário precisa acompanhar três números:

custo, preço e margem.

Os três precisam caminhar juntos.

Empresas do Simples também precisam revisar seus preços

A análise não vale apenas para Lucro Presumido e Lucro Real.

Empresas do Simples Nacional também precisam se preparar.

A partir de 2027, IBS e CBS passam a fazer parte das regras do regime. Além disso, empresas poderão, nas situações previstas, optar pelo recolhimento desses tributos pelo regime regular.

Por isso, uma pequena empresa também precisa conhecer sua margem.

Isso vale especialmente para negócios que vendem para outras empresas.

Antes de formar preços para 2027, o empresário deve saber qual modelo tributário será considerado na simulação.

Caso contrário, pode criar uma tabela baseada em premissas erradas.

Empresas do Lucro Presumido e Lucro Real também precisam simular

Para empresas fora do Simples, a análise dos créditos ganha ainda mais importância.

Além disso, a estrutura de custos pode alterar significativamente o resultado.

Uma empresa com muitas compras tributadas possui um cenário.

Já uma prestadora de serviços com grande peso da folha possui outro.

Por isso, duas empresas com faturamento semelhante podem precisar de preços diferentes.

O regime tributário é apenas uma parte da análise.

A operação completa precisa entrar na conta.

A Região Norte exige atenção aos custos logísticos

Para empresas da Região Norte, existe outro fator importante: logística.

Distâncias maiores podem elevar frete e prazo de entrega.

Além disso, muitos fornecedores estão localizados em outras regiões do país.

Por isso, qualquer mudança no custo da operação merece atenção.

Uma empresa de comércio em Marabá não deveria analisar apenas quanto pagará de tributo.

Também precisa avaliar frete, fornecedores, estoque e prazo de pagamento.

O mesmo vale para distribuidores e empresas do agronegócio.

Além disso, negócios que possuem operações relacionadas à Zona Franca de Manaus precisam observar as regras específicas aplicáveis. Em 2027, o IPI será reduzido a zero para a maioria dos produtos, mas há exceção ligada à preservação da competitividade da Zona Franca.

Portanto, empresas com operações regionais precisam evitar análises genéricas.

Quando sua empresa deve começar a formar os preços de 2027?

Agora.

Esperar dezembro pode reduzir o tempo disponível para fazer ajustes.

Além disso, muitas empresas começam a negociar contratos e orçamentos de 2027 ainda durante o segundo semestre de 2026.

Imagine enviar uma proposta válida por 12 meses sem considerar o novo cenário tributário.

A empresa pode fechar uma boa venda.

Porém, alguns meses depois, pode perceber que aquela operação perdeu rentabilidade.

Por isso, o planejamento deve acontecer antes da venda.

Não depois.

Um bom preço precisa proteger três coisas

Antes de aprovar sua tabela comercial para 2027, confirme se ela protege:

competitividade, caixa e margem.

O preço precisa continuar competitivo.

Ao mesmo tempo, precisa gerar caixa suficiente para sustentar a operação.

Por fim, deve deixar uma margem adequada para o crescimento da empresa.

Se um desses três pontos falhar, o preço precisa ser revisto.

Reforma Tributária e preços para 2027: não espere o problema aparecer

A Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como uma mudança na forma de pagar impostos.

Ela também afeta decisões comerciais.

Por isso, o empresário precisa revisar clientes, fornecedores, créditos, custos, contratos e margem antes de formar seus preços para 2027.

Os sete pontos são simples:

entender a tributação, analisar créditos, revisar fornecedores, conhecer a margem, separar B2B de B2C, revisar contratos e fazer simulações.

Quando essas informações trabalham juntas, o preço deixa de ser uma estimativa.

Ele se transforma em uma decisão de gestão.

Na Sédue Contabilidade, acompanhamos a Reforma Tributária com uma visão consultiva. Nosso objetivo é ajudar empresários de Marabá, do Pará e da Região Norte a entender como as mudanças podem afetar o resultado do negócio.

Porque aumentar preço sem fazer contas pode afastar clientes.

Porém, manter o preço errado pode consumir sua margem.

Sua empresa já começou a formar os preços para 2027? Entre em contato com a Sédue Contabilidade e converse com nossa equipe sobre os impactos da Reforma Tributária no seu negócio.